A importância da gestão de capital de giro para o sucesso do negócio



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A gestão de capital de giro é fundamental para o sucesso de todo tipo de negócio e de empresas de pequeno, médio e grande porte. Em entrevista com o prof. André Limeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), abordamos as principais questões relacionadas ao tema e falamos sobre o que avaliar na hora de buscar um financiamento.

André Limeira (foto ao lado) é professor da FGV há 22 anos e coordena MBAs em gestão empresarial, gestão financeira, controladoria e auditoria. Tem doutorado em administração e mestrado em contabilidade. É graduado em ciências contábeis.

Escute o áudio ou leia a entrevista a seguir: https://soundcloud.com/user-697847572/capital-de-giro-bndes-entrevista-professor-andre-limeira

ENTREVISTA BNDES:

Inicialmente, o Sr. poderia falar um pouco sobre o conceito de capital de giro e sobre a importância da gestão de capital de giro para o sucesso de um negócio?

AL: O capital de giro é algo essencial para os empresários e companhias de todos os portes e segmentos. Saúde do negócio depende, em boa parte das situações, dos valores que são acumulados para esse propósito. Capital de giro é composto, fundamentalmente, de quatro fatores, sendo, inclusive, tratado como o ativo circulante da empresa: disponibilidades (caixa, bancos e aplicações de liquidez imediata), aplicações financeiras, clientes e estoques. O capital de giro tem relevância total para a organização, uma vez que, independentemente da atividade apresentar lucro ou prejuízo, a empresa necessita ter capacidade de honrar os seus compromissos financeiros. A falta da gestão adequada do capital de giro é apontada, muitas vezes, como a causa do insucesso dos negócios.

"Costumo dizer que uma boa gestão do capital de giro proporciona os recursos suficientes para manter a empresa em movimento e dá ao empresário a disponibilidade para que ele possa focar no objetivo estratégico e comercial do seu empreendimento.

" BNDES: O que determina as necessidades de capital de giro da empresa? Isso vai ter relação com o prazo de estocagem, o prazo das vendas... e que outros fatores?

AL: A estratégia de prazos médios praticada pela organização – ou seja, o prazo médio concedido aos clientes, o prazo médio de giro dos estoques e o prazo médio de pagamento dos fornecedores. Eu destacaria também que se a empresa pretende elevar o seu volume de vendas ela terá que dispor de mais capital de giro para o seu estoque, considerando a manutenção desses prazos médios.

BNDES: Levando em conta todos esses fatores, quando é interessante para uma empresa recorrer a um financiamento de capital de giro?

AL: O ideal é a empresa projetar qual será a sua necessidade e estruturar a tomada de recursos com antecedência. Isso possibilitará ao empresário se planejar melhor e evitar, muitas vezes, ter que recorrer a empréstimos de curto prazo, que normalmente acabam sendo mais onerosos. Eu considero que o momento ideal é justamente aquele período prévio ao crescimento de vendas da empresa, já que ele irá necessitar de um estoque mais elevado e, em muitas situações, precisará alterar os prazos médios praticados e cogitar também o adiantamento de pagamento aos fornecedores para a negociação de melhores condições.

BNDES: Outra dúvida é se momentos de crise e de retração econômica podem também afetar essa necessidade de capital de giro?

AL: Influenciam e muito. Principalmente no início da recuperação, que a gente começa a vivenciar nas condições econômicas atuais do país. A empresa precisa prever através do orçamento qual será o momento ideal, o momento em que o mercado demanda pelo crescimento do faturamento. No momento em que ela projeta o ponto ideal de crescimento de vendas, ela deve se antecipar a essa situação e recorrer a esse financiamento... justamente para poder bancar essas negociações de financiamento com seus clientes e, também, ter condições de manter o estoque em níveis mais elevados, para que possa atender a novas demandas que venham a ocorrer com a retomada econômica.

BNDES: Algumas empresas, nesses momentos, consideram também a possibilidade de um financiamento. Então gostaríamos de saber o que é preciso avaliar caso o empresário opte por buscar um financiamento?

AL: Eu considero fundamental levar em consideração principalmente o volume de recursos adequado e alinhado à capacidade de pagamento da empresa. Uma operação mal dimensionada ou estruturada poderá trazer sérias consequências ao negócio e eventualmente comprometer a sua continuidade.

"O ideal é buscar financiamentos que combinem prazos de pagamento alongados atrelados a um custo financeiro baixo. Essas características são encontradas, por exemplo, nos financiamentos concedidos pelo BNDES."

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BNDES: Existe também o capital de giro associado a investimento, que seria uma outra modalidade de financiamento...

AL: Sim, também. Associado a investimentos, principalmente investimentos em maquinário, processo de robotização das companhias, ativo imobilizado... Financiamento até mesmo para opções de investimento em participações societárias em outras companhias nesse processo de fusões e incorporações que temos visto hoje no mercado. E se tornam boas alternativas (os financiamentos de capital de giro associado a investimento), pois levam em consideração também a questão do custo de oportunidade do capital. Essas alternativas surgem quando as empresas começam a buscar diversificação das suas operações e então precisam buscar financiamento também para esses investimentos. Em boa parte, as avaliações de investimento em participação societária e ativo imobilizado requerem essa análise do custo de captação em relação à taxa de retorno para o investimento realizado. Então, o financiamento de capital de giro também é útil para essas situações de aplicações em itens de ativo não circulante, principalmente no caso de imobilizado e participação societária em outros negócios.

BNDES: O Sr. gostaria de fazer algum último comentário?

AL: Eu deixaria um comentário relacionado a essa questão de negociação com clientes e fornecedores. Eu costumo dizer que de nada adianta aumentar o volume de vendas, porque, em muitas situações, é preferível não vender do que vender e não receber. A gente observa muitas companhias dilatando prazos médios de recebimento e esses prazos sugam o capital de giro da organização. Se ela não estiver preparada para aumentar faturamento, dilatando prazo médio de recebimento com capital de giro que banque esse tipo de operação, ela estará em muitas situações fadada ao insucesso. Justamente pela má gestão do fluxo de caixa oriundo efetivamente da administração do capital de giro.

"Então, articular bem a questão da manutenção de estoque e do prazo de giro do estoque com o prazo médio de recebimento e a negociação junto aos fornecedores, para adequar esses prazos de recebimento e pagamento, é algo que, hoje, faz grande diferença na gestão das organizações, sejam de pequeno, médio ou grande porte."

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